Histórico
Antecedentes
da cooperação
A
busca por meios mais eficazes e econômicos de observar
a Terra motivou o homem a desenvolver os satélites
de sensoriamento remoto. Mas os altos custos dessa tecnologia
tornam os países em desenvolvimento dependentes das
imagens fornecidas por equipamentos de outras nações.
Na
tentativa de reverter esse contexto, os governos do Brasil
e da China assinaram em 06 de Julho de 1988 um acordo de parceria
envolvendo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
e a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial) para o
desenvolvimento de dois satélites avançados
de sensoriamento remoto, denominado Programa CBERS (China-Brazil
Earth Resources Satellite), Satélite Sino-Brasileiro
de Recursos Terrestres.
Com a união de recursos financeiros e tecnológicos
entre o Brasil e a China, num investimento superior a US$
300 milhões, foi criado um sistema de responsabilidades
divididas (30% brasileiro e 70% chinês), tem como intuito
a implantação de um sistema completo de sensoriamento
remoto de nível internacional.
A
união entre os dois países é um esforço
bilateral para derrubar as barreiras que impedem o desenvolvimento
e a transferência de tecnologias sensíveis impostas
pelos países desenvolvidos. A parceria conjunta rompeu
os padrões que restringiam os acordos internacionais
à transferência de tecnologia e o intercâmbio
entre pesquisadores de nacionalidades diferentes.
Motivações
para a aliança
No
final da década de 80, o governo chinês traçava
diretrizes de desenvolvimento intensivo de vários setores,
entre eles a indústria e a área espacial. Com
o emprego de novas tecnologias, os chineses emergiram de duas
décadas de isolamento para elevar o nível de
suas competências científicas e tecnológicas.
No
Brasil, o avanço nos diversos programas de satélites
da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) incentivava
as pesquisas na área. O interesse em convergir os avanços
espaciais em aplicações industriais visava fortalecer
a economia interna e facilitar a busca por novos parceiros
internacionais que colaborassem neste processo.
A
experiência chinesa na construção de satélites
e foguetes lançadores tornou-se o grande aliado estratégico
para o governo brasileiro. Em contrapartida, o Brasil trazia
em sua bagagem a familiaridade com a alta tecnologia e um
parque industrial mais moderno que o existente no parceiro.
Por
outro aspecto, as grandes áreas despovoadas e com vastos
recursos naturais dentro do território de ambos os
países se somaram à esses interesses. Além
dos grandes potenciais agrícolas e ambientais, tanto
o Brasil como a China viram a necessidade de monitorar constantemente
essas áreas. A ferramenta para isto era Programa CBERS,
que trazia em seu projeto sensores específicos para
essas atividades científicas.
Dois satélites semelhantes
O
Programa CBERS contemplava o desenvolvimento e construção
de dois satélites de sensoriamento remoto que também
levassem a bordo, além de câmeras imageadoras,
repetidor para o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais.
Os CBERS-1 e 2 são idênticos em sua constituição
técnica, missão no espaço e em suas cargas
úteis (equipamentos que vão a bordo, como câmeras,
sensores, computadores entre outros equipamentos voltados
para experimentos científicos).
Os equipamentos foram dimensionados para atender às necessidades
dos dois Países, mas também para ingressar no
emergente mercado de imagens de satélites até
então dominado pelos que integram o bloco das nações
desenvolvidas.
Continuidade do programa
Em 2002, foi assinado um acordo para a continuação do programa CBERS, com a construção de dois novos satélites - os CBERS-3 e 4, com novas cargas úteis e uma nova divisão de investimentos de recursos entre o Brasil e a China - 50% para cada país. Porém, em função de o lançamento do CBERS-3 ser viável apenas para 2009, e diante de um possível final de vida útil do CBERS-2 ocorrer antes de 2009 - com grande prejuízo para ambos os países e para os inúmeros usuários do CBERS -, o Brasil e a China, em 2004, decidiram construir o CBERS-2B e lançá-lo em 2007.
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